Foto: Rian Lacerda (Diário)
A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) promoveu, nesta quinta-feira (19), o seminário Mulheres, Direitos, Trajetórias e Transformações Sociais. O encontro, realizado no auditório da Antiga Reitoria, no Centro, integrou a programação especial do Mês da Mulher e ocorreu em um cenário em que o Rio Grande do Sul já registra 23 feminicídios nos primeiros meses de 2026. O debate reuniu especialistas e a comunidade para discutir diferentes temas.
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O evento abordou o combate às opressões, a visibilidade de mulheres negras e "mulheres trans e transformações". O objetivo das discussões foi levar informações e acolhimento para que a rede de proteção seja fortalecida.
Rompimento do ciclo
Para a reitora da UFSM, Martha Adaime, a presença da comunidade acadêmica, especialmente dos jovens, é determinante para que as transformações ocorram na base da sociedade. A reitora enfatizou que o número de feminicídios no Estado é alarmante e exige que as instituições de ensino atuem de forma preventiva e educativa.
– Precisamos chamar atenção para o ciclo da violência, porque é ele que precisa ser rompido. Quando a gente tem vários casos de feminicídio, e são muitos para o Rio Grande do Sul, isso é um número enorme. Precisamos chamar a atenção para que essa nossa juventude consiga evitar ou sair desse ciclo de violência o mais cedo possível, impedindo que o feminicídio, que é o ápice, aconteça – afirmou Martha.
A coordenadora de Cidadania da UFSM, Cassiana Marques, que também organizou o evento, destacou que o seminário foi planejado para esclarecer questões que perpassam o cotidiano feminino, incluindo violências psicológicas e patrimoniais. Segundo ela, as participantes do encontro atuam como multiplicadoras de conhecimento para aquelas mulheres que não puderam estar presentes ou que ainda não se sentem encorajadas a denunciar.
Segurança pública
O debate contou com a participação da delegada Débora Dias, titular da Delegacia de Proteção ao Idoso e Combate à Intolerância (Dpicoi). Com vasta experiência no atendimento a mulheres, a delegada pontuou que o problema é complexo e não se resolve apenas com o rigor da lei, que atualmente prevê até 40 anos de reclusão para o crime de feminicídio.
– É um compromisso que tem que ser da sociedade. Precisamos de transformações culturais para equilibrar a balança de gênero, que é totalmente desequilibrada e é isso que fomenta os crimes. O mês de março é um período de debate e reflexão sobre a violência que, infelizmente, ainda perdura – disse Débora.
A Brigada Militar esteve no local por meio da Patrulha Maria da Penha, representada pela soldada Stéfani Ribas Brunhauser e pelo soldado Maiquel Ferreira Batista. A equipe detalhou o funcionamento da fiscalização das medidas protetivas e o acolhimento direto realizado nas residências das vítimas.
– A nossa patrulha atua efetivamente acolhendo mulheres vítimas de violência doméstica e fiscalizando se o agressor retornou para casa. É uma maneira de mostrar que o Estado está presente e que as medidas são eficazes e são fiscalizadas – explicou Stéfani.
A pró-reitora de Extensão, Milena Carvalho, destacou que as atividades do mês de março têm caráter de formação e conscientização, tendo percorrido também cidades da região, como Silveira Martins e Restinga Sêca, além de atingir comunidades quilombolas. As ações do Mês da Mulher na UFSM serão encerradas no dia 31 de março com a realização do show Mulheres em Movimento, no Centro de Convenções da universidade, no campus de Camobi.